Tenho dirigido…
E que sensação é poder guiar um veículo e chegar ao lugar almejado!
Que sensação boa é conseguir ir e vir por aí com mais conforto.
Tenho segurado o volante e superado meus medos.
Tenho dirigido e, de repente, fico cheia de orgulho ao ver o carro estacionado perto do meio-fio.
E ver meu filho dirigir comigo, vibrando por eu estar menos vagarosa e até arriscando ultrapassar um carro.
Como é prazeroso eu e o carro dançarmos por aí.
Uma dança sincronizada, onde cada movimento me faz sentir mais autônoma e corajosa.
Detalhes que me levam pra lá e pra cá e me fazem vibrar.
Tenho dirigido, e o carro não me parece mais tão assustador — apenas um carro que estou conduzindo com muito respeito e cuidado.
Tenho dirigido, e os outros veículos estão por toda parte, e eu consigo olhá-los nos olhos.
Dentro deles, dirigem humanos, que, como eu, também estão dançando.
E, nesta dança, não há melhores ou piores — apenas pessoas no seu próprio ritmo.
Há tanta singularidade nessa dança coletiva… mas, de repente, tudo pode mudar e tornar muito distante o tal lugar almejado.
Mas sigo por aí, dirigindo pra lá e pra cá, aprendendo no caminho qual música mais me toca no aqui e agora —
para eu continuar dançando no meu ritmo, sem tirar a mão do volante.