Ser mulher
Tanta coisa.
Mãe, ou não. Filha, divorciada, viúva, menosprezada, abusada, profissional, sonhadora.
Mulheres que lutam para ter voz e chegar bem em casa. Mulheres que, apesar de tantas vezes subjugadas, continuam de pé, com fé.
Mulheres que se cobrem dos pés à cabeça com pudor, batom, tabu e desejos. Que, diante de tanta vestimenta e brilho, lutam para respirar, cheias de medo e vontade.
Mulheres que querem amar, mas não só isso. Mulheres cheias de hormônio e também aquelas que sofrem com a falta dele. Ciclos, processos e suor.
É tanta coisa ser mulher.
É tanto sentimento que, às vezes, o coração acelera e o calor invade a alma e o corpo.
Mulheres que ainda precisam provar quando existe o excesso, que precisam justificar o limite do próprio corpo e do desejo.
Mulheres que flertam com o medo o tempo todo e continuam lutando. Mulheres cheias de vida, de história e superação.
Mulheres com muita sede de escuta e cheias de voz. Vozes distintas e singulares, que trazem uma história e, junto dela, marcas de amor e dor.
Mulheres com cicatrizes e que ainda precisam continuar lutando para existir e para ser. Ser protagonistas da própria vida.
Vida que não cabe a ninguém decidir ceifar.
Ser mulher é uma luta constante por existir.
É esperança em dias em que possamos ser tudo o que somos, e muito mais, sem medo de sermos caladas na voz, na alma e no corpo.
Simplesmente ser e viver.