Hoje minha raiva ganhou expressão na voz dele.
Com os olhos cheios de lágrimas, me disse que tem se sentido triste porque eu tenho ficado muito brava com ele.
Disse que meu tom de voz aumenta.
Teve dificuldade de dizer o meu lado bom.
Suas palavras, com gosto de sal, molharam meu coração — e eu chorei.

Chorei porque tenho exigido muito dele, e pude sentir meu excesso em suas palavras.
Seus olhos tristes tocaram os meus, e eu percebi que é preciso mudar.
Tenho tido tanto receio do que ele possa se tornar, que deixei de olhar para quem ele é!

Em muitos momentos, para corresponder a demandas alheias, desrespeitei o seu ritmo e impedi que ele agisse com mais liberdade.
Hoje consegui entender que realmente tenho exagerado, e isso tem atrapalhado nossa conexão.
Tenho cobrado em demasia que ele seja um “bom menino”, para que eu possa me sentir uma “boa mãe”.
Quero ser boa em excesso — e isso tem o atropelado.

Mas ele pôde me dizer. E, apesar de ter doído, também me encheu de orgulho.
Algo de bom eu tenho feito para que ele pudesse dizer o que está o afligindo.

Me pus a refletir o quanto as crianças são interrompidas pelo nosso narcisismo.
Hoje ele pôde me falar — e eu parei para escutá-lo.
Ele chorou, eu chorei, e depois nos abraçamos.
Pedi desculpas, e fizemos um novo acordo.

E deste excesso, vou me libertar.